quinta-feira, 7 de abril de 2011

Também quero ser foda

"Rusbrock está enterrado há cinco anos; desenterraram-no; seu corpo está intacto e puro (evidentemente! senão, não haveria história); mas: "havia apenas um pontinho no nariz que exibia um leve vestígio, mas um certo vestígio de corrupção". Na figura perfeita e como embalsamada do outro (tanto ela me fascina), vejo súbito um ponto de corrupção. Esse ponto é ínfimo: um gesto, uma palavra, um objeto, uma roupa, algo de insólito que surge (que desponta)de uma região que eu jamais suspeitara, e liga bruscamente o objeto amado a um mundo chão. O outro seria acaso vulgar, ele de quem eu incensava devotamente a elegância e a originalidade? Ei-lo que faz um gesto que desvela nele uma outra raça. Fico pasmo: ouço um contra-ritmo: algo como uma síncope na bela frase do ser amado, o ruído de um rasgão no invólucro liso da Imagem."

Tô lendo um livro foda. Chama-se Fragmentos de um Discurso Amoroso, do Roland Barthes. Difícil no começo, por conta do jeito que o cara escreveu, sem narrativa. Mas depois que engrena, só vai.
E vou te dizer, tem algumas coisas que dão no melão do cara. Essa aí dele dizer que existe o ser amado, e a projeção que tu cria, e quando começam a aparecer umas sujeirinhas no ser amado e se começa a ficar diferente do que se projetou, é genial.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

quando o colorado não colabora...



... sempre rola um som do specials pra alegrar a rapaziada!

e não se tratava da obra de joaquim manuel de macedo

isso tem a ver com o que o primo distante escreveu há uns dias: umas colegas minhas de trabalho tavam conversando sobre a professora nova de ciências da escola e se referiram a ela assim: "é uma moreninha". com essa descrição, estava esperando encontrar uma pessoa pequena, mirrada até, quando me deparei com "a moreninha" hoje: uma mulher negra da cor do ébano (como diria o meu finado avó) de um metro e oitenta. se tem uma coisa que eu acho muito idiota é quando alguém usa o diminutivo para se referir a alguém com uma característica que ela acredita ser um defeito, tipo a "moreninha" ou o "lentinho", por exemplo. isso prova que ser não preconceituoso vai além de cuidar com a fala...

na casa do senhor não existe satan goss



passou esses dias na ulbra tv um episódio do jiraya e lembrei que teve uma época em que eu era viciado nesses seriados tokusatsu (é isso mesmo primo distante?), tipo jaspion e changeman que davam na todas as tardes na manchete (pois é, eu sou do tempo da tv manchete). eram todos iguais e eu assistia a todos. depois eles foram substituídos pelos cavaleiros do zodíaco e pelo dragon ball z e eu dei um tempo. nos desenhos, faço mais um estilo animaniacs. de toda forma, ficou a referência.

muita calma nessa hora

ainda sobre a minha aflição de ontem, tava pensando em outra coisa bem complicada: como conversar com o professor do seu filho sobre uma preocupação que talvez envolva a atuação dele - o professor? notei que por eu ter conversado com elas sobre uma coisa que me afligia em relação ao theodoro, houve um certo melindre do tipo "o que esse pai chato quer"?
é uma situação meio chata porque você não pode ficar quieto vendo seu piá com dificuldade, mas também tem que ter todo o cuidado do universo para acabar não o expondo a uma situação desconfortável. é meio foda porque às vezes você tá afim de mandar todo mundo pro inferno (muitas vezes sem razão) mas precisa se armar em fino para debater com a professora - que também pode ter razão ou não e que também pode estar querendo mandar todo mundo pro inferno em alguns momentos.
quero muito crer que na minha situação - na verdade na situação do theodoro - seja muito mais o caso de colocar certos pingos nos is do que dizer quem está certo e quem está errado, mas certamente é uma tensão - especialmente para o theo.

terça-feira, 5 de abril de 2011

vacas magras até em sonhos



sonhei que tinha ido a uma banca e que estavam lá para vender novos números de vagabond e hitman, as duas revistas que eu mais gostava de colecionar, mas que tiveram sua publicação cancelada sem aviso prévio. o problema é que cada uma custava mais ou menos dez reais e eu comecei a fazer as contas e fiquei preocupado que esses vinte reais mais o que eu já gastava com as outras que eu vinha comprando ia dar muito dinheiro em gibi por mês e eu teria que abrir mão de alguma. pelo menos nos sonhos a gente deveria não precisar fazer economia.

toma na tua cara

já tem um tempinho que sou professor e já perdi a conta das vezes que eu conversei com os pais dos meus alunos. têm uns que só escutam, outros se desesperam, outros ainda que já esculacham a criança na frente de todo mundo e têm aqueles que tentam entender o que está acontecendo para poder ajudar.
teve uma vez que ao conversar com uma mãe, eu disse que o filho dela estava admirando algumas pessoas que poderiam levar ele por um mau caminho - e não eram os colegas bagunceiros e sim uns marginalzões donos de boca e tudo. e falei isso porque o piá andava pela volta da escola andando com os elementos em questão e apedrejando a casa dos outros, coisa que eu vi e ninguém me contou. não é que a mulher me cai em prantos achando que eu tinha chamado o filho dela de marginal e foi um saricotico pra explicar que ela tinha um bom menino em casa que ainda não tinha discernimento suficiente para enxergar que aquilo que ele estava fazendo podia ser o comecinho de uma estrada bem tortuosa.
desde então redobrei o cuidado que sempre tive para falar com os pais sobre as dificuldades e falhas que seus filhos tem e comentem. digo isso porque já tem um tempinho que estou calçando os sapatos de alguns pais e mães que talvez pudessem ter me parecido meio exagerados na ansiedade em relação à boa criação dos filhos. só quem tem filho entende o tamanho da preocupação que dá ao ver o pequeno esbarrando em alguma coisa que pode parecer banal aos outros.
ser professor e pai esclarece algumas coisas bem difíceis de entender.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

pra pensar mais um pouquinho


sabe quando você terminha um livro ou um filme sem saber ao certo se gostou ou não? pois foi o caso desse livro do senhor joão gilberto noll. tem algumas coisas bem interessantes na narrativa e o enredo é bem intrigante no início. mas ao final, fiquei saber se ele tentou fazer alguma coisa inovadora no tempo da narração ou se a inovação era em relação aos subentendidos do texto (alguma coisa como um "não-texto" ou algo que o valha). sendo assim, ou eu sou meio tapado ou este é um livro que acaba frustrando o leitor ao longo da história (na verdade as duas hipóteses não são mutuamente excludentes).

pra queimar a mufa


para quem gosta de barafustar por pensamentos esquisitos e quer se situar um pouquinho no mundo da filosofia, taí um bom começo. à venda nas melhores casas do ramo, especialmente na bamboletras, uma livraria que eu acho muito simpática.

me esqueci de contar


fiquei um ano andando por tudo que é bolicho que vende hot wheels para ver se achava esse carrinho aí de cima e não fui feliz. nem em americanas, nem em supermercado, nem em loja de brinquedos e nem em lojinha de 1,99. já meio convencido de que esse ia ficar faltando, abandonei a procura. então saí de férias para o arraial d'ajuda e um dia, dando uma caminhada depois da janta, não é que eu olho para uma vitrine de uma loja de sapatos e encontro o bendito lá dentro exposto para venda! pois é, tem uns que trazem um berimbau de recordação da bahia, já eu trouxe um gto wagon em miniatura.

onti e ontonti

estávamos conversando entre uma devassa e outra sobre as bobagens que todos faziam um tempo atrás quando saíam à noite. bebedeira, torração de dinheiro, peregrinação por mil lugares durante a madrugada e por aí vai. claro que tava todo mundo muito saudoso disso, porque estas bobagens rendem graça até hoje. o engraçado é que, por mais saudoso que eu fique, não sinto vontade de fazer as mesmas coisas hoje. como é certa aquela moral que diz que com o tempo algumas coisas perdem a graça. elas perdem mesmo, ainda que eu tenha vontade de sair mais do que me é permitido pelas circunstâncias, não troco por nada a companhia da minha esposa e do meu filho, embora às vezes não demonstre.



mas vontando à adolescência tardia, uma das vezes que me lembro e sempre acho graça foi quando fui me enfiar em laguna (sc) para fazer um concurso para professor, nem me lembro se já era formado na época. aí, para não ir sozinho, o primo distante e um outro amigo foram junto para dar um apoio moral. por apoio moral devemos entender cerveja na noite antes da prova e jogo da verdade (era verdade ou consequência, mas entre três barbados ninguém pedia consequência) que revelou algumas das verdades mais escabrosas de todos os tempos. de toda forma, passei no concurso e até fui chamado.
acima segue um som que era trilha sonora desses tempos.

domingo, 3 de abril de 2011

devassa


patrocinadora oficial da minha dor de cabeça hoje.

apoio:



o ministério da saúde adverte: fumar faz mal pra caralho.

sábado, 2 de abril de 2011

aproveitando...



... porque quem tem filho pequeno só dá uma banda à noite de vez em quando.

ps.: o que era a voz do brian johnson, hein?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

a dura realidade

ontem, na cama, um pouco antes de desmaiar:

eu: - ô amor, já que o theo vai dormir na minha mãe no sábado, a gente podia fazer alguma coisa. sair pra tomar uma cerveja ou ir ao cinema...
amor: - só precisamos saber como vai estar a nossa situação de grana.
eu: - mas a gente já sabe como vamos estar de grana: fodidos.

e se alguém quiser saber como vai estar a minha situação financeira daqui a uns seis meses, pode me perguntar que eu também sei a respota.

Um assuntinho espinhoso

Faz tempo que estou com esse assunto na cabeça, e de verdade, ainda não consegui encontrar uma resposta. Vamos a ele. No carnaval, em meio a uma cervejinha e outra, peguei um livro dum amigo meu para ler. Era uma seleção de entrevistas da Playboy. Boa leitura pra prainha. Eu podia pegar apenas uma entrevista aleatoriamente, sem precisar seguir a narrativa e a temática normalmente era a mesma: fama, drogas, mulheres, festas e realizações artísticas. Eis que, me deparo com a entrevista do Spike Lee, lá nos anos 90, logo quando ele estava despontando. E o nosso amigo Spike falou uma coisa que ficou martelando na minha cabeça - para ele preconceito é difetente de racismo. E ele avisa pra tomarmos muito cuidado com isso. O carinha disse que preconceito para ele tudo bem, cada um tem sua opinião e mesmo que não gostemos, dane-se. O problema é o racismo, é quando o preconceito é institucionalizado. É a ação. Isso me veio a cabeça outro dia, quando estava almoçando num bar em que o dono, um carinha que sempre fica fazendo piada de negrão, e é, em tese, racista. No entando, a única funcionária dele é negra, e eles, ao que parece, tem um relacionamento ótimo. Fiquei pensando, que, como sempre o vilão da história, a aura do politicamente correto cobrou seu preço nesse assunto também. Ao longo dos anos 90, e começo dos anos 00, foi-se criando o esqueleto do que temos hoje. Temos que cuidar o que falamos, embora,no âmago, pensamos. Em vista do que li, e do que vi, acho que estou criando uma nova concepção da coisa. Pode ser que eu esteja totalmente errado, e pode ser que eu esteja falando, e pensando, merda, mas hoje acho que prefiro alguém que fale como se fosse preconceituoso, mas que aja de forma não racista. Como a do cara, dono do bar que deu emprego a um negro. Esse assunto é meio foda, e não me sinto muito a vontade pra escrever, embora o fiz agora, porque acho que tem muitas lacunas na forma como ele deve ser abordado e eu não tenho a menor convicção de como a coisa deve ser. Mas acho que é bem importante a gente pensar nisso, porque muito mal já foi feito em nome dessa merda toda.